A marca que falta

25-agosto Espiritual

A poluição visual que enfeia nossas cidades está presente também no campo religioso.

Uma parafernália de distintivos, hábitos e trajes – alguns verdadeiramente exóticos – em exibição na lapela ou cobrindo o corpo, para esconder o que deveríamos ser, ostentando o supérfluo porque falta o essencial: “Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão  que vocês são meus discípulos” (Jo: 13, 35).

O que queremos dizer quando ostentamos insígnias religiosas? O que veem em nós as pessoas que não se dizem cristãs? Um velho companheiro costumava afirmar: “Quanto mais pobre o circo, mais enfeitado o palhaço”. Isso também vale para o campo religioso?

Quando somos pobres de valores – pobres por dentro – enchemo-nos de penduricalhos por fora. Mas quem precisa do nosso testemunho para crer ou viver espera que brote algo não da lapela, mas do coração: um amor solidário e efetivo, pois essa é a marca que caracteriza os seguidores de Jesus.

Os penduricalhos não são nossa glória nem nos glorificam. Jesus associa sua glória e a glória do Pai com a morte na cruz e a ressurreição. A glória de Jesus resplandece na cruz, onde “amou” até o fim. E o pai glorifica o Filho, ressuscitando-o.

O amor, sim, é nossa glória e identidade. Nada poderá substituí-lo. Nem será preciso ostentá-lo com distintivos ou marcas, pois ele se faz visível em nossas ações. Mas não nos iludamos acerca do amor, nem convém romantizá-lo. Jesus ordenou amarmo-nos como Ele nos amou. E todos sabemos que Ele amou até as últimas consequências, isto é, até dar a vida por nós.

 

Sílvio Rogério Rodrigues Alves.