Enfraquecer o pecado pelo fortalecimento da graça

04-agosto Espiritual

“A mortificação é sempre um ato de nossa responsabilidade. Só quando não for mais necessário se crescer em graça, é que não se precisará mais mortificar o pecado. O fato de a mortificação ser sempre algo que nos cabe, implica que remanesce em nós um princípio regente de pecado. A Escritura o denomina de: “o pecado que habita em nós”; “o mal que reside em nós”; “a lei em nossos membros”; “maus desígnios”; “concupiscências”; “carne”. É desse princípio de pecado que procedem insensatez, falsidade, tentação, sedução, rebeldia, hostilidade e coisas semelhantes. O pecado interior tem que morrer. A raiz do princípio regente do pecado tem de ser mortificada. O “velho homem” (o oposto do “novo homem” criado por Deus em justiça e verdadeira santidade) precisa ser morto. A inclinação, hábitos e disposição, bem como os resultados dessa tendência chamada de “o corpo do pecado e seus membros”, devem ser mortificados (Gl 5.24; Ef 2.3; 4.22). Os pecados ativos devem ser também mortificados, os quais são de dois tipos. Há os pecados internos, que são as imaginações, ardis e desejos do coração (Gn 6.5; Mt 15.19), e há os pecados externos (Cl 3.5; Gl 5.19-21). Esse princípio regente de pecado, com todos os seus anseios e pecados ativos, opõe-se diretamente ao princípio de santidade que há em nós pelo Espírito Santo. O pecado e a santidade se opõem um ao outro e, naquilo que desejam realizar (Gl 5.17; Rm 7). São opostos nos feitos e nas ações que produzem (Rm 8.1). Caminhar segundo os desejos do pecado conduz à condenação, mas caminhar conforme a vontade do Espírito leva à vida eterna (Rm 8.4). Andar segundo os desejos da carne pecaminosa leva à desobediência à lei de Deus. Andar segundo os desejos do Espírito leva à obediência à lei de Deus. Nada devemos à natureza pecaminosa e corrupta do pecado; ela só causa perturbação e morte. Mortificai, portanto, essa natureza corrompida, pois se não o fizerdes morrereis (Rm 8.12, 13). Andar segundo a carne significa concordar com os seus desejos e permitir que operem em nosso corpo (Rm 8.5). Andar segundo o Espírito significa render-se à sua lei e direção, e portarmo-nos do modo que ele deseja que nos portemos. Os frutos e as atitudes externas desses dois princípios são antagônicos (Gl 5.19-24). Mortificação é ficar do lado da graça contra o pecado. Isso significa nutrir e fortalecer o princípio regente de santidade implantado em nós pelo Espírito Santo. Significa permitir que a graça opere em nós todo o realizar, tanto interno quanto externo; derrotando assim as mobilizações da carne. Significa aplicar a graça apropriada, com toda energia e diligência, contra aquele pecado em particular que deseja se concretizar. Assim como há pecados particulares desejosos de acontecer, há também uma graça particular para se opor a cada um deles. Para se mortificar um pecado específico é necessário pôr em ação contra ele a graça específica concebida para se opor a ele. O segredo da mortificação está na correta aplicação da graça apropriada contra o pecado específico. O ato de enfraquecer o pecado pelo fortalecimento da graça em oposição ao pecado é chamado de mortificar, ou matar; primeiro porque é de fato a morte do pecado interior, e segundo, porque é um ato violento. Tudo mais pode ser feito de modo mais fácil e mais suave, mas nesse caso temos de lutar corpo a corpo, combater e o matar. Em terceiro lugar, chama-se de mortificação porque o único propósito dela é a final e total destruição do pecado interior.”

 

Uma compilação da extraordinária obra do “Príncipe dos Puritanos”” de John Owen, Heraldo Almeida, Manoel Canuto, Marcos Vasconcelos –

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