Enfrentando a morte

17-setembro Espiritual

Não há nada de errado em romantizar a morte, sabemos que ela é um meio de graça onde cessam as dores, as tristezas e o sofrimento. Ela também nos lembra que o céu não é nesta terra. Podemos encaixar a morte como algo certo que ocorrerá mais cedo ou mais tarde. Mas, como podemos lidar com a morte e até mesmo levar consolo diante daqueles que estão perto dela ou envolvidos com ela de alguma maneira?

A Escritura nunca retrata a morte como uma amiga. A morte é chamada de o “último inimigo”. A morte é a perda final. Ela parece algo errado e não natural porque ela de fato o é. Deus nos criou para vivermos eternamente. A morte não é algo que Deus “planejou” para o seu mundo. A vida neste mundo corrompido pelo pecado passará diante dos nossos olhos rapidamente, e nossas conquistas, bens materiais, opiniões e status perderão o significado.

Durante a vida você vai encarar aquilo que Davi, no Salmo 23, chamou de “sombra da morte” (v.4). O andar pelo vale da sombra da morte pode se dar de várias formas. Você provavelmente já encarou alguma dessas sombras, sejam elas: perda de saúde, perda de entes queridos, perda da juventude, perda da utilidade e até a perda do sentido das coisas.

Mas isso não é o fim de todas as coisas, ainda há esperança. A última palavra é que Deus nos levará para estar com ele eternamente. O dom gratuito da vida eterna contrasta perfeitamente com “o salário do pecado é a morte” (Rm 6:23). Cristo é o único inocente que já existiu, encarou a morte não por causa de seus pecados, mas pelos pecados de seu povo. Na cruz ele esmagou a morte em todas as suas dimensões, quando morreu ele suportou o salário do pecado, sofrendo as penas do inferno morrendo voluntariamente.

A vida eterna é uma certeza, e já nos foi dada pelos benefícios que Cristo conquistou na cruz. John Piper ilustra a morte com maestria quando fala: “A morte é como meu carro. Leva-me para onde quero ir”. A morte não tem a palavra final. “Visto, pois, que os filhos tem participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida” (Hb 2. 14-15).

Prepare-se para vida eterna morrendo um pouco a cada dia. “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lc 9:23). Aprender a arte de morrer tranquilamente em um mundo caído significa também aprender a arte de viver bem. Portanto, se entregue a Cristo, nele, podemos ver além da sombra da morte, para uma luz que dissipa as trevas. E assim pela graça de Deus podemos encarar a morte e vivermos a vida.

Luiz Felipe Ferreira

Bibliografia
Powlison, David. Enfrentando a morte com esperança: vivendo para o que permanece (Série Aconselhamento Livro 16) (Locais do Kindle 261). Editora Fiel.
Piper, John. Lutando contra a incredulidade / John Piper; São José dos Campos, Sp: Fiel, 2014.