O problema das grandes realizações (Parte 4)

19-novembro Espiritual , Família

A modernidade com suas ideologias, filosofias e teologias resolveu matar a Deus na vida das pessoas. Apoiados nas descobertas científicas os homens decidiram que a razão de tudo na vida está na natureza e que o homem é suficiente para si mesmo, única razão de tudo que lhe acontece.

A ideia do homem como dominador encanta a todos na atualidade e mexe com o mais profundo de seu íntimo através de expressões artísticas, como com o poema vitoriano “Invictus”, que inspirou Nelson Mandela durante seus anos na prisão: “eu sou o senhor de meu destino, eu sou o capitão da minha alma”.

Logo, depreende-se que na atualidade os homens mataram a divindade e a única razão de existir são eles mesmos. O deus a ser servido é denominado “ego” (eu).

Os próprios cristãos vivem hoje essa filosofia/teologia. Embora no campo intelectual digam que vivem para servir ao único Deus verdadeiro que existe, na prática, rendem-se ao serviço ao ego, inclusive sob o pretexto de servir a Deus, por vezes.

A razão do trabalho é o sucesso profissional e/ou financeiro. A razão do casamento é ser feliz. Tudo tem a ver com satisfação pessoal, com realizar-se de alguma forma. E isso chega ao ponto de pessoas trabalharem na igreja a pretexto de servirem a Deus, quando, na verdade, o desejo é de sucesso, de se destacarem, de receberem os mais variados elogios.

Sem Deus a vida se tornou vazia. O trabalho se tornou um mero jeito de ganhar dinheiro ou ser reconhecido. Por isso, o resultado é a insaciabilidade quando se atinge o objetivo, ou a frustração quando do fracasso.

A esposa e os filhos se tornaram servos do deus “eu”, que precisa que todos contribuam para que seja feliz. As amizades deixaram de ser desinteressadas em grande parte das vezes. A aproximação das pessoas começou a ser movida pela possibilidade de ganho pessoal.

Só que aos poucos o homem vai percebendo que o serviço a si mesmo, a realização pessoal, a autossatisfação, são incapazes de dar sentido a vida. Posto que esta é muito mais que isso, como veremos no próximo e último texto desta série.

Thiago Rodrigues Oliveira