O problema das grandes realizações

26-agosto Espiritual

Outro dia, lendo Mário Sérgio Cortella encontrei a seguinte reflexão:“Até algum tempo atrás, a vida era muito menos complexa e a intenção principal era sobreviver. Isto é, obter recursos para montar uma família e ter um patrimônio que se pudesse deixar de herança. Como a sociedade hoje é mais focada no indivíduo, a ideia de propósito está marcada por um conceito que já existiu e voltou com força: o da realização. E a palavra ‘realizar’ em suas leituras no latim e inglês indica, respectivamente, realizar no sentido de ‘tornar real’, mostrar a mim mesmo o que sou a partir daquilo que faço, e to realize, na acepção de ‘dar-me conta’. Isso significa a minha consciência.”

Indene de dúvida que a forma como as pessoas passaram a entender a existência sofreu profunda alteração nos últimos anos como bem preceitua Cortella. É que ao homem não basta mais ser um bom marido, bom pai ou chefe de família. Ao mesmo passo à mulher chega a ser ofensivo dizer que seria “apenas” boa mãe, esposa ou companheira.

As pessoas vêm nas grandes realizações a razão da existência. Tanto para o homem como para a mulher o importante é ser reconhecido(a) pela sociedade como aquele(a) de grandes realizações profissionais  e descobertas. Até mesmo dentro das próprias igrejas há quem entenda que o importante é o ativismo que o aponta para ser reconhecido como alguém que dedica seu tempo integralmente para o Senhor da igreja.

Todavia, há um evidente equívoco nisso tudo. Uma sociedade que pretende grandes coisas vive relegando o básico. A atenção à família e a formação dos filhos tem sido cada vez mais deixada de lado. Queremos terceirizar o que não se pode. Resultado? Queda dos princípios e valores pela ausência de dedicação real à família.

Mas sobre isso veremos nas próximas semanas, aqui neste mesmo canal.

Preb. Thiago Rodrigues Oliveira