O silêncio da dor

17-novembro Espiritual

A dor! Quem a compreende? Quem a explica? Quem sabe lidar com ela de fato? Será que podemos evitá-la ou apenas adiá-la? Nessas horas, parece que ao procurar uma resposta, apenas encontramos mais perguntas; um caminho que deveria ser uma linha reta se torna um labirinto; a estrada pavimentada que deveria ser iluminada, torna-se uma via escura e esburacada.

Os dois primeiros capítulos de Jó relatam todo sofrimento que lhe foi imputado. Jó, um homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal (1.1), viveu momentos que o levaram à dor mais profunda, capaz de silenciar o grito dolorido da alma. Jó, de uma vez só, teve tudo arrancado de suas mãos: família, riquezas, saúde, e ainda teve de lidar com sua mulher dizendo para ele amaldiçoar a Deus e tirar a própria vida (1.9). Seus amigos, ao verem-no naquela situação, rasgaram suas vestes e se assentaram com ele por sete dias e sete noites sem dizer uma palavra sequer (1.12,13).

Algumas dores têm o poder de silenciar, de nos roubar as palavras e as expressões. Jó jamais atribuiu a Deus pecado de nada do que aconteceu com ele. Foi um homem que soube receber o bem e o mal de Deus com integridade. Mas isso não muda o fato: doeu! Mas a dor que silencia as palavras não deve silenciar a esperança. Esperança essa que não se limita ao tempo presente, mas se estende à eternidade. A dor maior foi experimentada pelo sumo sacerdote que sofreu à nossa semelhança para nos socorrer (Hebreus 2.17,18; 4.15,16).

Há alguém que se compadece das nossas fraquezas e dores. A dor que sangra no peito, que causa o silêncio, que tira as esperanças, pode ser tratada e curada. A inquietude da alma tem de ceder à paz que excede todo o entendimento e que guarda o coração e a alma. Enquanto o mundo busca soluções filosóficas para lidar com a dor, há muito tempo um homem disse: venham a mim os cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. E é esse homem que faz a esperança, que traz a mudança e rompe o silêncio ensurdecedor de uma alma que está cansada demais para conseguir gritar.

Rev. Marcus Vinícius de Paula Costa