O tempo

01-novembro Espiritual

O tempo! Você consegue ouvi-lo passando? Seu tic tac, despretensioso, costumeiro e aparentemente inofensivo é de fato cruel. Um descuidado dirá que ele é impessoal e sem propósito determinado, porém segue o seu caminho decretado, decretando começos e fins.

Penso que no fim das contas a culpa que se carrega não é do tempo, mas da expectativa, acho que posso chamar de ilusão da eternidade em coisas, meramente temporais. Vejo e sinto a frustração de coisas e pessoas que ficaram no tempo, congelados na memória ou descartados pelos afetos.

Ele não para a fim de que façamos as arrumações necessárias, preparados ou não, aí vai ele. Quando se olha para trás existem palavras que deviam ser ditas, enquanto outras não deveriam existir no vocabulário. Por seguir coerentemente o seu caminho, parece que tudo poderia ter sido diferente com algumas palavras ou sem elas.

Ele é relativo apenas às sensações, passa sempre voando quando os momentos são bons e demora uma eternidade em contos enfadonhos. No geral funciona assim, quando se assusta já se foram 10 minutos, quanto se olha no relógio já é sexta-feira, quando se ouve seus badalados o menino nasceu, quando marca meia noite, a vida simplesmente se foi.

No fim a gente acaba chamando-o de médico e professor, pelas aulas dadas e cicatrizes curadas, enquanto dá suas voltas. Num determinado momento da vida, ele se torna um amigo confiável, mas no geral se descobre essa qualidade tarde demais. Então, no fim das 24 horas, você conversa com ele e agradece, porque seu grande feito foi passar e trabalhou com muita honestidade e coerência, para ensinar aos homens a grande lição da vida: Tudo passa! Por isso, aproveite, corra, espere…

O Tempo! Ah o tempo! Você consegue ouvindo-o passando?

Reverendo Jakstone Carvalho Braga