Trabalho

10-setembro Acadêmico

Profissionalmente eu sou jogador de futebol…

Mas hoje, com trinta e cinco anos, eu ainda não tive oportunidade de trabalho na minha área.

Tenho convivido com jovens e adolescentes há algum tempo e percebo neles um pensamento em comum, que também vejo em alguns adultos.

O que percebo é a ideia de que só se é feliz trabalhando naquilo que pensam que nasceram vocacionados pra fazer.

Creio que esse pensamento é muito imaturo e cria pessoas despreparadas para a dura realidade da vida. Muitas vezes tal ideia reduz a evolução mental das pessoas, que de repente se veem muito velhas, em um mercado no qual eles já deveriam estar inseridas muito antes.

Infelizmente eu tive que começar muito novo num trabalho fora da minha área. Trabalho que me proporcionou alcançar o que possuo, conquistar a minha independência e, principalmente, sustentar minha família.

É uma ilusão acreditar que só podemos trabalhar em algo que predefinimos. O trabalho é algo necessário para que, desde cedo, saibamos discernir quais são os valores das coisas, e aprendermos a ser gratos por todo trabalho que demos até que pudéssemos, no mínimo, caminhar com as próprias pernas.

É um atraso de vida depender da ajuda dos outros, ainda que sejam seus pais, porque o jovem pôs na cabeça que o trabalho que tem nas mãos não é aquilo que um dia imaginou estar fazendo.

Não vejo erro algum de que um futuro médico aprenda  desde pequeno a usar um machado, ou que uma possível engenheira saiba cuidar de uma casa.

Sabemos que nem todo conhecimento se encontra em livros e é bem melhor a independência proporcionada pelo trabalho, que viver sendo “carregado” enquanto lamenta-se que Deus não lhe deu oportunidades.

Antônio Corrêa da Silva